O OUTONO DA NOSSA ESPERANÇA

Agosto é o mês propício para rompermos com os quotidianos intensos, a que nos exigimos durante o ano, para fazer avançar as coisas que precisam de mudança.

O verão, o tempo de férias, a circulação intensa de pessoas, vindas de várias partes do mundo, em busca de um espaço para relaxar, convidam a um estar mais descontraído, marcado, sempre que possível, pelos agradáveis encontros e fecundos diálogos com gentes diversas e com outras mundividências.

Não fosse a tragédia dos fogos, que todos os anos se repete, e que não deixa ninguém sossegado, e teríamos um “verão do nosso contentamento”.

As chamas destroem florestas, aldeias, vidas. Até quando?

Porque é tão difícil encontrar uma solução definitiva?

Que interesses e que negócios estarão escondidos por detrás deste drama que teima em voltar, ano após ano?

Questões que permanecem em aberto, exigindo respostas.

Precisamos, por isso, como país, de investir mais na literacia cívica, no pensamento crítico, na formação humanista – esses são sentidos permanentes no trabalho que desenvolvemos nas várias áreas que dão corpo ao projecto Chapitô!

Com o verão a caminhar para o fim, recomeça a temporada de trabalho.

As férias, já cumpridas, deixam espaço à disciplina do quotidiano. Setembro e Outubro batem à porta, chamando para o reinvestimento na missão que nos é comum – a equidade, a justiça social, o trabalho ao serviço do bem comum.

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Outubro traz consigo um momento decisivo: as eleições autárquicas.

O ato democrático é muito mais do que um simples voto.

É a voz de cada cidadão a construir o destino coletivo. É um exercício de consciência política que liga a vida local às grandes questões globais: a justiça social, a paz, a crise ambiental, os direitos humanos.

Que futuro se avizinha? Não é uma pergunta retórica!

É um apelo sentido à nossa consciência acordada e à nossa ação implicada.

Só um mundo mais equilibrado, que saiba colocar as pessoas e a natureza no centro, poderá resistir às desigualdades e às guerras que se multiplicam.

Votar é escolher esse caminho!

É dizer que acreditamos na mudança, na responsabilidade e na construção de sociedades mais justas.

No Chapitô, este espírito está sempre presente:

ARTE, CULTURA E COMUNIDADE, COMO PRÁTICAS DE CIDADANIA ATIVA.

 

Teresa Ricou
Setembro 2025

(Excerto do editorial da Agenda Chapitô Setembro /Outubro 2025)

IN MEIN GAR ZU DUNKLES LEBEN

In mein gar zu dunkles Leben*
Strahlte einst ein süßes Bild;
Nun das süße Bild erblichen,
Bin ich gänzlich nachtumhüllt.

Wenn die Kinder sind im Dunkeln,
Wird beklommen ihr Gemüth,
Und um ihre Angst zu bannen,
Singen sie ein lautes Lied.

Ich, ein tolles Kind, ich singe
Jetzo in der Dunkelheit;
Ist das Lied auch nicht ergötzlich,
Hat’s mich doch von Angst befreit.

Heinrich Heine, Buch der Lieder (1827)

Montag, den 12.Oktober 1998

Cheiro tanto, tão bem. Fui com a Dana comprar um perfume. Pus-me Cristalle (Chanel), um branco da Jil Sander e um da Clinique. O do passado é bom, mas um dos outros é uma maravilha. Sparen! [Poupança!] Ah, espera, é que também pus o Boss, para mulher, que também será uma maravilha.

As árvores, tão grandes, abanam tanto, como se nada fosse. As folhas mexem-se totalmente, polvilhadas de vida militar, mas não tenho medo,

In mein dunkles Leben.

 *In mein gar zu dunkles Leben/  In my life’s enshrouded darkness

In my life’s enshrouded darkness
Once a vision shed its light;
Now, that phantom radiance vanished,
I am wrapped again in night.

Children, when oppressed by darkness,
When their happy hearts are cowed,
To allay their fears and trembling
Sing a song — and sing too loud.

I, a child half-crazed, am singing,
Singing in the darkness here . . .
If my song is loud and raucous,
It, at least, has soothed my fear.

Font: Aqui!

Vera Martins
Setembro 2025