O GLORIOSO JOGO DA GLÓRIA
DO MAGNÍFICO ANO DA GRAÇA DE 2026
Hoje, 2025, Séc. XXI, a “Odisseia é na Terra”, não no espaço sideral, mas no encontro entre povos, culturas, gerações, no território comum da humanidade. O Circo, uma cultura milenar, as artes, os ofícios do espetáculo celebram a festa, eles são o veículo e o mote da viagem. Esta é uma Odisseia na Terra; uma viagem humana, cultural, comunitária, que atravessa memórias, apelando à paz no mundo, culminando com uma “Ode Ceia” à humanidade.




Teresa Ricou
Dezembro 2025
Foto do destaque: @rita_ansone
(Excerto do editorial da Agenda Chapitô Janeiro /Fevereiro 2026)
RAPAZ QUASE B.B.
O elemento político da amizade consiste no facto de no diálogo verdadeiro cada um dos amigos é capaz de compreender a verdade contida na opinião do outro. Mais do que a pessoa do seu amigo, o amigo compreende como, e sob que modo de articulação específico, o mundo aparece ao outro, sendo este, enquanto pessoa que é, irredutivelmente desigual e diferente. Esta espécie de compreensão – ver o mundo (como hoje trivialmente dizemos) do ponto de vista de um outro que nos é próximo – é a inteligência política por excelência.
(…)
Sócrates parece ter acreditado que a função política do filósofo era contribuir para a instauração desta espécie de mundo comum, construído a partir do entendimento entre amigos, que torna a dominação desnecessária
Hannah Arendt, A Promessa da Política
Bento Bertílio Bruno exercia a profissão de engenheiro de sistemas entre as duas maiores cidades da região. Mas podemos imaginá-lo nas estreitas estradas serpenteadas das cordilheiras. Trata-se de um homem. Para nós, um rapaz, sombrio. Um homem desolado é ainda o próprio rapaz sombrio.
Bento Bertílio vive só na cidade e mais só no campo. Aos fins de semana vai para uma velha casa de família na aldeia. Sente-se incomodado com a curiosidade dos vizinhos que o convidam, por compaixão, para jantar e para beber para que não esteja sozinho, ínfimo e triste. Bento Bertílio Bruno não lhes agradece do fundo do coração. Será que os despreza?
Este rapaz contou-me a sua história, bebendo vinho numa festa, e da tristeza que sentia.
Sempre parecidos os dias do rapaz com olhos cor de montanha, cor das vinhas, esbugalhados, engordados, quadrados, macerados.
Contou-me que uma vez conseguiu estar 30 horas a dormir, depois já não conseguiu mais.
Os dias são a ver filmes – vídeos e mais, muita televisão – e os fins de semana no campo – sem livros – na mesma posição.
A vida de um homem inteligente, tranquilamente à minha frente, rapaz que conheci. Não achava bem nem mal. Não suportava cuidar dos muitos sobrinhos; a mãe, por causa da idade, foi para longe, foi ter com as cinco filhas e o pai morreu, junto à aldeia.
Homem Rapaz, Bento Bertílio Bruno, rapaz repelente, terno e sombrio.

Vera Martins
Janeiro 2026