DESCOLONIZAR A MENTE E ABRIR O CORAÇÃO

Num exercício de democracia que caracteriza a nossa comunidade e, mais especificamente, a comunidade de aprendizagem que é a Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo do CHAPITÔ, organizámo-nos em forma de “ágora”, sob o céu que é a nossa Tenda, reunindo Diretora da Escola, Professores e Alunos para onsensualizarmos a escolha do tema para o ano escolar 2025/26.

A escolha do tema, sublinhe-se, inspira toda a Casa – convoca a comunidade escolar,  as interpela também todos os sectores do Chapitô, criando um vínculo e tecendo uma rede de conivência e congruência que reforça o sentido de pertença, incentiva e acolhe a  participação de todos.

Sempre que o diálogo se institui, autêntico e relevante, todas as possibilidades existem e os impossíveis transformam-se em desafios.

Foi nesse espírito de concertação, em que as vozes não têm hierarquias, que emergiu o tema fecundo, plural e exigente para o ano de 2025/26 – O DESCOLONIZAR – descolonizar as mentes, os gestos, as perceções, o pensamento, as consciências, as culturas, as artes, o espetáculo, os sonhos, os  horizontes…

Agora, é aprender a “suspensão do tempo cronológico”, instituindo esse outro tempo que é o tempo da afeição, do diálogo, da palavra grávida de vida, do respeito pelos outros, da criação sublime do que acrescenta o mundo em bondade e sabedoria. Nesse percurso, também nos vamos fazendo melhores pessoas, menos preconceituosas, menos colonizadas, MAIS LIVRES!

Como Diretora da Escola e primeira e última responsável pelo projeto Chapitô, pus-me em diálogo interior sobre o tema e aqui vos deixo, como contributo e inspiração, estas palavras:

VERDES SÃO OS SONHOS DE FUTURO
Em rebanho somos, caminhando nas
pastagens do mundo,
buscando sombra, água e pertença.
Cada ser, um elo na teia viva da terra.
Os cuidadores – humanos e animais,
reaprendem o gesto antigo de proteger e nutrir,
porque a saúde da natureza é a saúde da alma.
E há o Pastor – ou Pastora,
figura de escuta e de rumo,
a maestra silenciosa que guia sem impor,
que conhece o vento, a sede e os caminhos do
regresso.
Sem ela, o rebanho perde o norte;
Com ela, a travessia tem en(canto) e horizonte.
Do alto das serras aos mares profundos,
Os cardumes movem-se como rebanhos
líquidos – sabem nadar em conjunto,
sem se perder.
Salvar os mares é curar o espelho do céu, É garantir que a terra respira e que
o “humano” sonha.
Nasce uma “florestania” –
um pacto novo entre o humano e o verde,
entre o sal e o vento, o pasto e o coral.
A democracia cansada reencontra alma
quando o campo e o mar voltam a dialogar.
A falência das grandes superfícies,
faz emergir as pequenas comunidades de
comércio,
a aldeia, o bairro, o olhar dos vizinhos:
– redimensionar o mundo é devolvê-lo à escala
do coração.
Em rebanho, ou em cardume,
há menos solidão – mas também o direito a ela!
Da comunhão dos seres brota a saúde mental,
essa paz que o corpo reconhece antes da razão.
Verdes são os sonhos de futuro,
verdes são os campos,
azuis são os mares…
Como um jardim democrático,
onde a esperança volta a nascer!

Teresa Ricou
Dezembro 2025

(Excerto do editorial da Agenda Chapitô Novembro /Dezembro 2025)

Die Dreigroschenoper (Über die Unsicherheit menschlicher Verhältnisse)*

Erstes Dreigroschenfinale (Über die Unsicherheit menschlicher Verhältnisse)
POLLY:
Was ich möchte, ist es viel?
Einmal in dem tristen Leben
einem Mann mich hinzugeben.
Ist das ein zu hohes Ziel?

PEACHUM (mit der Bibel in den Händen):
Das Recht des Menschen ist’s auf dieser Erden,
da er doch nur kurz lebt, glücklich zu sein,
teilhaftig aller Lust der Welt zu werden,
zum Essen Brot zu kriegen und nicht einen Stein

FRAU PEACHUM:
Wie gern wär’ ich zu dir gut.
Alles möchte ich dir geben,
dass du etwas hast vom Leben,
weil man das doch gerne tut,
weil man das doch gerne tut.

Font: Aqui!

No comboio, a caminho de Amesterdão. Tudo é verde e chuvoso, um cinzentinho aprazível. Numa paragem – estação tão pequena, tão perdida –  lê-se (em grafitti – um grande e azul):
F*ck the tender.

Recordo aquela nuvem como uma pontinha de divino?
Será que agora que quero escrever o fenómeno, nunca o terei?

Tentativa gorada de estudar de manhã.
Recordo aquela nuvem como uma pontinha de divino?

Beten [rezar]
Bieten [oferecer]
Bitten [pedir]

Stadtsbücherei. Portugal war da. [Biblioteca pública. Portugal estava lá]
Elmex Sensitiv (Deutsche Mark).
Eigentümer [proprietários]
Nachmittags: lernen.[À tarde: estudar]. Ein biBchen Kopfschmerzen [Um bocadinho de dor de cabeça], olhos a arder, torcicolo, Bauchschmerzen und trotzdem war es ein perfektes Nachmittags [Dor de barriga e apesar de tudo foi uma tarde perfeita].

Vera Martins
Dezembro 2025